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OUTROS PROJETOS:

• Zero lixo em Bazaruto
No âmbito da estratégia global de gestão dos resíduos desenhada para o Município de Vilankulos, a AMOR em parceria com o WWF desenhou a estratégia Lixo zero em Bazaruto - Alternativas à pesca através da reciclagem e da gestão de resíduos com o duplo objectivo de limpar o Parque Nacional dos seus resíduos (1) e reduzir a pressão da pesca (2) através de alternativas económicas de reciclagem e gestão de resíduos dados aos pescadores e às suas famílias. Assim, o projecto tem 3 componentes: soluções integradas de gestão de resíduos nos hotéis, concurso escolar de reciclagem nas escolas, e fabricação e venda de artesanato com produtos reciclados, cada um destes componentes envolvendo os pescadores e as suas famílias.

• Uma linha de transformação do papel/papelão em telhas ecológicas
Os volumes de papel e papelão recolhidos pelos Ecopontos já são suficientes para a instalação de uma linha de transformação em telhas ecológicas, para substituir as chapas de zinco, muito comuns em Moçambique. Feitas a partir de resíduos de papel, papelão e betume, as telhas ecológicas já dominam o mercado americano (E.U.A, Brasil, Argentina) devido a um custo inferior de produção, uma melhor isolação térmica e acústica e uma resistência igual ou superior às telhas de zinco. Além disto, o produto final é um produto de consumo maior em Moçambique nas camadas mais desfavorecidas e nas construções do governo. Se a sustentabilidade o permitir, O investimento na linha de transformação serão avaliados para serem realizados num CTR do país.

• O grupo de trabalho sobre oportunidades de financiamento climático para o tratamento de resíduos sólidos
A AMOR participa activamente no o grupo de trabalho sobre oportunidades de financiamento climático no sector dos resíduos municipais em Moçambique. Este grupo surgiu em Maio de 2014 a fim de identificar as oportunidades de financiamentos climáticos no sector dos resíduos e apoiar a formulação dos pedidos a ser apresentados pelo governo moçambicano na comunidade internacional. Este liderado pelo MITADER e conta com a participação activa da ANAMM – Associação Nacional dos Municípios Moçambicanos, do FUNAB – Fundo do Ambiente, da Carbon África, peritos em fundos do clima e da AMOR.
O grupo encontrou-se 7 vezes desde a sua criação e atingiu vários resultados positivos, com a obtenção de fundos para pagar trabalhos actualmente desenvolvidos sobre a adaptação da postura municipal, a avaliação do sistema de cobrança da taxa de lixo e a elaboração de um sistema de Monitoria, Relatório e Verificação para o Tratamento de resíduos municipais.

ESTRATÉGIA DE ACÇÃO NOS MUNICÍPIOS

Uma vez criada à cadeia de valor pelos CTRs da 3R, a AMOR pode desenvolver actividades ligadas a reciclagem, como a Rede de Ecopontos: assim, oferece aos cidadãos a possibilidade de separar os seus resíduos e doa-os ou vende-os para posterior reciclagem. Além disto, a AMOR pode organizar actividades de consciencialização ambiental, como o concurso escolar de reciclagem, que visa a melhorar também as condições de ensino.
Em paralelo, uma vitrine ambiental pode ser criada em cada Município, onde os Munícipes poderão ver exemplos de uma boa gestão ambiental. Este lugar pode ser gerido através de uma parceria publica-privada: neste caso o Município irá dar a concessão de uso de um espaço público (parque, jardim, marginal, etc.) a um actor privado (cafés, restaurantes, barres, por exemplo) que por sua vez irá aproveitar o espaço respeitando o ambiente e tornando o espaço público autosustentável.
Além disto, a AMOR pretende apoiar o Município na remodelação da postura municipal na base do princípio do Poluidor/Pagador: os “grandes produtores” devem assinar contractos diferenciados com o Município ou com empresas de recolha (os chamados “provedores de serviços” em Maputo). Além disto, os grandes produtores podem ser obrigados a fazer a separação de resíduos e considerar a reciclagem cada vez que for possível. Fundos podem ser procurados para facilitar a aplicação da nova postura municipal.
Assim, a estratégia de acção da AMOR nos Municípios esta baseada nos 4 seguintes componentes:

1.Centros de Transferência e Reciclagem
Após a Assinatura de um Memorandum de Entendimento entre AMOR, 3R e o Município, um terreno esta alocado a 3R para a abertura do CTR, podendo ser o terreno da antiga lixeira.

2. Remodelação da postura municipal
A postura municipal e remodelada, de acordo com o principio do Poluidor pagador quer através de provedores de serviços, quer de contratos diferenciados, e a taxa de lixo esta adequada a realidade dos custos.

3. Ecopontos e concurso Escolar
Ecopontos são instalados no Município, e as escolas do Município são equipadas com Ecopontos. Programas de consciencialização/melhoria das condições de ensino são lançados (Recicla e Ganha).

4. Transformação da biomassa no local
As comunidades são ensinadas a transformar resíduos orgânicos, papel e papelão em carvão e/ou biocarvão.

CENTRO DE TRANSFÊRENCIA E RECICLAGEM DE RESÍDUOS

Devido à escassez de processos de transformação dos resíduos dentro de Moçambique, a maior parte dos resíduos recolhidos, são na sua maioria exportados, sendo apenas compactados e acondicionados dentro do país. Como consequência, a maior parte do valor acrescentado no processo de reciclagem é feita no estrangeiro.

Neste contexto, a AMOR criou a empresa social 3R – Reduzir, Reusar, Reciclar, em parceria com a empresa Carbon Africa, a fim de obter financiamentos para a abertura de Centros de Transferência e Reciclagem no país.
Os centros de Transferência e Reciclagem recebem e tratam os resíduos recolhidos pelo Município e os resíduos do sector privado separados na fonte. Em vez de levar os resíduos recolhidos até a lixeira municipal - o cenário actual - o Município (ou os outros actores da recolha no caso de terceirização do processo de recolha) leva-os até o Centro de Transferência e Reciclagem, onde é feita a separação final dos resíduos. Lá, os resíduos orgânicos junto com o papel e papelão (65% dos resíduos recolhidos) são transformados pela 3R em carvão e/ou composto. Os resíduos recicláveis (15 a 20% dos resíduos recolhidos) são ou transformados no CTR ou condicionados pela 3R e mandados para reciclagem posterior. Os resíduos que não se podem reaproveitar (20 a 25%) são levados pelo Município até o aterro sanitário ou a lixeira Municipal.
Discussões iniciaram com várias cimenteiras no país na utilização de parte dos resíduos como combustível, após acondicionamento dos resíduos e cálculo do poder calorífico.
Para instalar o Centro de Transferência e Reciclagem, a 3R precisa de um terreno de aproximadamente 1 ha, localizado perto da estrada, com energia trifase e aceso a água. Idealmente, este terreno estará localizado entre a vila/cidade e a lixeira/aterro municipal, assim, poderá diminuir custos de transporte estando localizado o mais perto da vila/cidade possível. Já que muitos Municípios estão no processo de fechar as suas lixeiras para abrir aterros sanitários, a 3R propõe reconverter a lixeira em Centro de Transferência e Reciclagem. De salientar que a 3R visa também oferecer serviços de gestão integrada de Resíduos.
Ambos as necessidades de reconverter o espaço das lixeiras e de criar Centros de Transferência são prioridades do governo, como expresso na Estratégia de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Urbanos . O primeiro Centro de Transferência e Reciclagem abriu em Vilankulo (no lugar da antiga lixeira), e o segundo esta para abrir na cidade da Beira a partir de Maio de 2015.

CARVÃO E BIOCARVÃO

Todos os dias, os moradores das cidades de Maputo e de Matola compram 200t de carvão para cozinhar. Por outro lado, produzem aproximadamente 800t de resíduos orgânicos, papel e papelão a cada dia. Então, porque não desenvolver um carvão a partir de resíduos orgânicos, papel e papelão? Isto irá permitir por um lado a diminuição dos resíduos urbanos e por outro lado, a redução do desmatamento, representando também uma poupança económica considerável para as comunidades que queiram fazer a transformação sozinhos.

Em Vilankulo, a AMOR já transforma 10m3 de resíduos orgânicos, papel e papelão em carvão por dia, através de uma técnica de baixo custo, que esta para ser ensinada as comunidades (usando para a divulgação os comités de bairro). Os pedaços de carvão resultantes do processo são usados directamente como carvão para cozinhar, e o pó e aplicado nas machambas como biocarvão.

O Biocarvão é um material sólido obtido a partir da carbonização de biomassa que pode ser adicionado ao solo com a intenção de melhorar suas funções orgânicas. Historicamente, os Índios na região Amazónica já aplicavam carvão vegetal para melhorar a fertilidade dos solos, o que criou a famosa Terra Preta: um tipo de solo escuro, extremamente fértil devido à aplicação do carvão. Além disso, o biocarvão reduz as emissões de gases de efeito estufa via o sequestro de carbono, evitando a decomposição da biomassa.

Em Vilankulo, um parceria com a JAM – Joint Aid Management, uma ONG internacional que trabalha no campo da agricultura e do desenvolvimento, esta em curso a fim de avaliar os resultados do biocarvão. Neste âmbito, ligações adicionais com o sector privado foram feitas a fim de produzir um produto de ampla comercialização. De fato, uma das maiores características do biocarvão e a maior retenção de água e nutrientes, o que também permite uma maior eficiência dos fertilizantes aplicados nos solos, daí o interesse do sector privado.

Assim, transformar lixo orgânico em carvão e biocarvão em grande escala poderá desviar entre 60 e 70% dos resíduos urbanos produzidos. A produção do carvão irá limitar o desmatamento, em quanto o uso do biocarvão evitará emissões de gases de efeito estufa e permitirá que milhares de agricultores utilizem uma técnica orgânica ancestral para melhorar a fertilidade dos solos arenosos (característicos da zona costeira em Moçambique).

ÓLEO USADO, COMBUSTÍVEL RECICLADO

A preocupação relativa com os óleos usados foi expressa formalmente num estudo do CNPML (Centro Nacional de Produção Mais Limpa) após um pedido da UNIDO e por numerosos hotéis e unidades de restauração de Maputo (Radisson, Southern Sun, KFC, Hotel Avenida, Cardoso, Girassol e outros) à AMOR neste âmbito. De facto, os óleos usados contaminam as águas e os lençóis freáticos e provocam graves problemas de saúde pública.

Mas representam também uma oportunidade em transformá-los em Biodiesel através de uma tecnologia de processamento do óleo usado, já utilizada com sucesso na vizinha África do Sul. Assim, após uma formação realizada na África do Sul, a AMOR, com o apoio da cooperação alemã, adquiriu três plantas de transformação, recolha e reciclagem dos óleos de cozinha usados processando os mesmos em biodiesel, para ser usado em viaturas.

Hoje, mais de 200l de óleos usados são recolhidos semanalmente em Maputo, provendo de hotéis e restaurantes como os KFCs, Campo di Fiori, 1908. Assim, os veículos da AMOR já andam exclusivamente com Biodiesel o que também permite reforçar a sustentabilidade económica das actividades da AMOR. Além da recolha nos hotéis e nas unidades de restauração, cada Ecoponto da AMOR recolhe os óleos de cozinha usados.

Duas maquinas adicionais foram levadas para Vilankulo e para Tete respectivamente, que deveriam iniciar a operar entre 2015 e 2016.

E previsto que os sub-resíduos produzidos durante a transformação (essencialmente glicerina) sejam processados em sabão. Em paralelo, a AMOR pretende analisar a composição do biodiesel a fim de licenciar e comercializar o produto. Assim, tanto o biodiesel como o sabão de glicerina serão comercializados pela AMOR, o que permitirá a sustentabilidade do projecto, com uma maior visibilidade.

PROMOCÃO DO ARTESANATO E DO “UPCYCLING”

Desde a sua criação, a AMOR sempre tem trabalhado com artistas e artesãos a fim de promover arte e artesanato feito com material reciclável.
Através de uma parceria com a What’s in Waste, que cria e vende artesanato desenvolvidos a partir de resíduos desde 2010, a AMOR treinou 5 membros da Xidzuki em artesanato a partir de resíduos, como por exemplo, carteiras feitas com pacotes de sumo, brinquedos e etc. Outras sinergias com jovens informáticos estão a ser procuradas a fim de reciclar parte do material electrónico recebido.
No último trimestre de 2015, uma árvore de natal ecológica foi desenvolvida com garrafas de plásticos em parceria com os Piratas do Pau (fotos), patrocinada pelo banco Millennium BIM no programa Recicla e Ganha – Uma Cidade Limpa para Mim. No âmbito do programa Recicla e Ganha, as crianças dos Clubes do Ambiente também são treinadas em criação de objectos feito com resíduos (brinquedos, presentes). Assim, as crianças dos Clubes do Ambiente e do orfanato Casa do Gaiato criaram os enfeites para a árvore de natal.
Desde 2013, a AMOR está a desenvolver as páginas verdes da reciclagem, que visa a repertoriar todos os actores da reciclagem no país, com enfoque nos artistas e nas comunidades que inovam com reciclagem de resíduos. Vários projectos foram concebidos como a fabricação de instrumentos de música a partir de resíduos, etc.
Nos seus Centros de Transferência e Reciclagem (ver abaixo), a AMOR pretende também criar parcerias com escolas e com a sociedade civil a fim de promover a Upcycling, ou seja: o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.

Para o ano de 2015, um total de USD 21,030 permitirá à AMOR fortalecer as ligações entre artistas, artesão, e o sector da reciclagem, através do fornecimento de resíduos aos artistas mas também de uma exposição online, e da criação de ligações com as escolas.

Páginas Verdes da Reciclagem

Este projecto visa a divulgação de iniciativas de reciclagem e reaproveitamento de resíduos sólidos inorgânicos e orgânico (lixo seco / lixo molhado). Estes objectos são feitos por entidades individuais ou colectivas, engajadas na protecção do ambiente e na sustentabilidade dos recursos naturais.

Implementação de cadeias de transformação

Devido à inexistência de uma verdadeira “transformação” dos resíduos em matéria-prima e/ou produtos acabados, é indispensável desenvolver actividades de transformação dos resíduos em Moçambique.

A AMOR prevê instalar uma linha de transformação do papel em produtos acabados (ex: papel higiénico) e do plástico em matéria virgem. De acordo com a visão da AMOR, os resíduos moçambicanos têm que ser transformados em Moçambique por moçambicanos e, os novos produtos, vendidos em Moçambique.